Quando alguém pergunta “como surgiu o dia das bruxas”, a primeira imagem que vem à mente é abóboras iluminadas, fantasias assustadoras e doces. Mas a verdadeira origem dessa data é bem mais profunda e fascinante, misturando rituais celtas, influências romanas e a astúcia da Igreja Católica. Neste artigo, vou contar essa história de forma clara e direta, sem rodeios, para que você entenda por que celebramos — ou pelo menos estranhamos — essa noite tão misteriosa. Tudo começa há mais de 2.000 anos, com os celtas que viviam na região onde hoje são Irlanda, Reino Unido e norte da França. Para eles, o ano tinha apenas duas estações: o verão (luz) e o inverno (escuridão). O dia 31 de outubro marcava o fim do verão e o início do ano novo celta, que começava com o festival chamado Samhain (pronuncia-se “sou-en”). Na noite de Samhain, os celtas acreditavam que a fronteira entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos se tornava extremamente fina. Isso permitia que espíritos (bons e ruins) atravessassem para o nosso lado. Para se protegerem, eles acendiam grandes fogueiras, usavam máscaras e vestiam roupas estranhas com o objetivo de confundir ou afastar essas entidades. Também deixavam comidas na porta como oferendas para acalmar os espíritos — um costume que, mais tarde, evoluiria para o “doces ou travessuras”. Quando o Império Romano conquistou os territórios celtas, por volta do ano 43 d.C., as tradições não foram simplesmente apagadas. Como era comum em Roma, eles misturavam as festas locais com seus próprios feriados. Duas celebrações romanas se mesclaram ao Samhain: a Feralia (um dia para homenagear os mortos) e a festa em honra a Pomona, deusa das frutas e árvores. Daí a ligação com as maçãs, que até hoje aparecem em brincadeiras típicas do Halloween nos Estados Unidos. Agora vem a parte mais interessante. No século VII, a Igreja Católica, estrategicamente, tentou substituir as festas “pagãs” por datas cristãs. No ano 609 ou 610, o Papa Bonifácio IV consagrou o Panteão de Roma à Virgem Maria e a todos os mártires, criando o Dia de Todos os Santos, inicialmente em 13 de maio. Mas isso não funcionou bem entre os celtas, que continuavam celebrando o Samhain com força total. Foi então que, no século VIII, o Papa Gregório III mudou a festa para 1º de novembro, oficialmente dedicada a todos os santos. A véspera — 31 de outubro — passou a ser chamada de All Hallows' Eve, que em inglês arcaico significa “Véspera de Todos os Santos”. Com o tempo e a pronúncia popular, “All Hallows' Eve” virou Halloween. E o Dia das Bruxas, como conhecemos em português, nasceu dessa tentativa de cristianizar uma antiga festa pagã. AAs Raízes Célticas: O Festival de Samhain
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